Dois garotos conversam na lanchonete enquanto aguardam seus lanches:
- Aí depois que morre já era...
- Mas por isso é que não vamos fazer nada? Choramingar, se arrastar pelos cantos, ensimesmar, vai resolver alguma coisa também?
- Não, não...mas além da morte, tem a injustiça também, que pesa e muito sobre a gente...a pessoa vai endurecendo, não tem como, perdendo a frescura do coração, a cor boa dos olhos.
- Sim, sim, mas aí é que tá: é resistir. É mudar, trocar o vaso, a camisa, a casa, sempre que possível...é navegar no rio de bosta mas sem deixar de escovar os dentes, pentear os cabelos, ler um livro, pulverizar seu amor, seu ódio, viver...é esse paradoxo básico, não sei...
- Já vi muita injustiça, não sei...quero mais que tudo se foda às vezes.
- Uma coisa é certa: quando ela vem, não tem rei nem rainha, ela leva. E é isso que me deixa assim, sabe?
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